Uma dança de muitas cadeiras

quarta-feira, 22 de agosto de 2018 Nenhum comentário
Quero escrever pra você,
E ao fazer uso dessas palavras expressar quê,



No marear dos teus olhos castanhos vejo uma profunda tristeza,
Uma confusão sem tamanho e ainda assim,
Tua tão cobiçada leveza;

Que apesar do mundo se acinzentar nos últimos dias, de toda a dor que carregas no peito,
Vez ou outra te toca a alegria e eu muito sortuda,
Te tiro um sorriso sem jeito;

Talvez te pareça que a vida seja um tanto cabreira,
Que faz da nossa felicidade sortida,
Uma dança de muitas cadeiras;

Queria te tirar pra dançar, te levar para o meio do salão,
Quem sabe contigo girar e girar...,
E cairmos como crianças no chão;

Sem os teus medos a assombrar e com toda a minha indiscrição,
Para dentro de você olhar e te erguer com uma única mão;

Quero ver o formato da sua boca em um sorriso se transformar,
E sentir de uma hora pra outra todo o espaço sombrio se iluminar;

Da luz que você irradia, da paz que você emanar, da poesia que aqui se cria, e que escrevo pra te acalentar!


L

Minha relação com a comida

quinta-feira, 22 de março de 2018 Nenhum comentário
A minha superfície aparenta uma sublime calma que eu não possuo. Aparenta um semblante tranquilo, com uma legenda de plenitude, que não cabe ao meu coração sentir. Tentando em vão desenhar um sentimento extensivo de sossego, para quem sabe assim verdadeiramente senti-lo. 
Sou um caos internamente. Um amontoado de informações e conhecimentos absorvidos via sites, livros, pessoas que diariamente alimentam meu software e tantas outras vezes travam todo o meu sistema psicológico. Não sei o que fizeram com a minha geração ou quais exatos pilares me moldaram uma pessoa tão obcecada pelo domínio, mas sei as consequências desastrosas da falta de equilíbrio. 
Sei que a minha vontade não é dominar, propriamente, o mundo. Mas o mundo em que estou inserida, sendo ele meu trabalho, meu pessoal, minha inteligência, minhas relações, minhas emoções, minha estética, meus hábitos, minhas vontades e impulsividades. Minha comida. 
Veja só a relação com a comida.

Eu me pergunto se estou com fome e algumas dessas vezes, muito pontualmente, percebo que não. Estou satisfeita e consigo fazer boas escolhas de consumo. Quando vou ao supermercado almoçar e não estou ansiosa ou há horas privada de alimento, me dou conta que faço escolhas saudáveis e em quantidade suficiente. 
Mas em momentos de estresse... Ansiedade... Tristeza...Confusão...Raiva e insatisfação eu me vejo correndo para a padaria mais próxima (pode ser a mais distante também), para "descontar", ops, errado, para buscar conforto no prazer que a comida oferece. E assim foram 12 kg acima do peso. Que desastre!
Por muitos meses eu agi carrascalmente na reprovação dessas atitudes. Me castigando com dietas que me privassem daqueles "elementos-chaves" responsáveis pelo meu sobre-peso. Outra grande bobagem, desde quando restringir leva alguém a algum lugar?
Retirar o carboidrato da minha vida só me fez pensar ainda mais em carboidrato. Dizer que não poderia comer doce, voltava o meu pensamento ao açúcar. Ou seja proibir tornam esses alimentos ainda mais atrativos. 
Não funciona. 
Agora identificar os verdadeiros "elementos-chaves", as raízes reais da minha disfunção alimentar é um caminho assertivo. E pra lidar com essas raízes de forma madura e honesta eu precisei em um primeiro momento entender três pontos. 
Primeiro, eu não sou gorda. Eu estou com o peso acima do ideal de IMC pro meu corpo. Segundo, eu não nunca fui magra, eu sempre tive um corpo com formas, curvas e pernas rechonchudas. Terceiro, eu não sou apenas o meu corpo. Mas ele é o meu lar. Minha casa. 
Com esses três pontos em evidência eu posso trabalhar a minha autoestima estética, porque essas afirmações me garantem que eu entendo que não sou os meus 12 kg e também não sou o padrão fitness publicitário de instagram, que sinceramente (opinião minha e sem valor algum), não passa de outro tipo de escravidão cultuada e propagada por todos os níveis de rede. 
O auge dessa reflexão é a consciência de que eu resido nesse corpo e eu preciso cuidá-lo, inclusive, alimentá-lo. Mas não sob extremos, mas com a interpretação do que é necessário a ele, seja comida, amor, paciência, carinho ou respeito. 
Compreender que eu preciso me fazer carinho foi uma jornada e tanto. Me dá carinho é um desafio diário, somos propensos a nos difamar mas ficamos envergonhados quando recebemos elogios. Maluco né?
Pois é, dessa loucura eu não quero mais. 
Eu quero amor. De mim pra eu mesma. A minha barriga está aqui, praticamente sobrepondo a minha teoria de que se você consegue enxergar a "pancinha" a frente do volume dos seios é hora de preocupar-se. Mas a presença dela não precisa ser motivo de infelicidade, que tal sentir-se desafiada? É o que eu digo pra mim hoje. 
Está infeliz? Procure sua felicidade. E seja obcecado em encontrá-la, mas pelas razões certas. Ninguém encontra a felicidade na magreza, no bumbum sem celulite e nas pernas torneadas. Mas encontra felicidade quando promove a própria beleza e respeita a sua singular forma de existir no mundo!

Ataque os problemas certos. ;)

Análises do percurso

sábado, 23 de dezembro de 2017 Nenhum comentário
A vida é como percorrer um grande caminho. Você sabe a onde quer chegar, conhece o seu Animus, ou pelo menos é preferível que conheça; daí durante o caminho você deve, sem escolha, fazer escolhas, eu sei redundante. Essas escolhas, a nível análogo, são as ruas que você decide trilhar.
Por exemplo, ao sair de casa hoje eu andei duas quadras da minha rua, virei a direita (mas também pensei em seguir em frente, no entanto algo me incitou a dobrar a esquina), depois andei mais duas quadras e vi um homem lendo, subitamente virei a esquerda. Mais uma quadra. E durante essa quadra eu imaginei o caminho que faria dali em diante. Não fiz.  Quando cheguei na esquina novamente dobrei a direita e segui reto o máximo que pude.  Cortei o parque. "Subi" umas quadras embaixo de sol, sequer uma árvore para aliviar meu cansaço. Aí virei à esquerda. À direita. Quando estava chegando no meu objetivo a uma quadra. Me deparo com um conhecido que me diz: o sistema do correio não está funcionando, algum eletrônico (importante,  imaginei) queimou durante a noite. 
Que nocaute.
Eu voltei pra casa? Estressada e aborrecida porque acordei quinze pras sete da manhã com uma missão qual eu não poderia cumprir devido um fator que eu não poderia prever e nem controlar? 
Não. 
Eu fui até o correio. Eu entrei na fila e com educação,  ou pelo menos a que eu finjo ter, perguntei o que dava pra fazer para as pessoas que partilhavam da mesma situação que eu. Descobri que ainda posso pegar minha encomenda. Que são livros aliás. 
O que a vida tem haver com tudo isso? Tudo. Porque ela é exatamente assim. Você tem sonhos. Planos. Projetos. Uma missão para validar sua passagem aqui, pelo menos segundo a vossa vontade. E aí quando chega uma certa idade você descobre que precisa fazer escolhas, tipo as ruas sabe? E vai fazendo várias todos os dias. Às vezes as ruas serão arborizadas e você vai se deleitar com uma caminhada deliciosa pela manhã. Em outras haverá muita incidência solar e você vai ter que continuar caminhando. E um detalhe, quanto mais cedo você caminha em direção aos seus sonhos, mais cedo você chega lá. 
Deve ser por isso que a minha mãe me queria de pé as seis, mesmo sabendo que o correio abria as oito. Porque indiretamente ela estava me ensinando que, quando você quer algo na vida você está pronto pra isso antes mesmo que aconteça. Ou no caso, você está lá antes das portas se abrirem.
Sobre o caminho. Também vale ressaltar que nele você vai encontrar pessoas para te inspirar (o rapaz lendo), pessoas que vão te parar e dizer que isso que você quer pode não dá certo (o conhecido) e pessoas que estarão na mesma direção que você (na fila do correio) e você pode aprender muito com elas. Aproveite. 
E, estou terminando, I promess. Quando chegar ao seu objetivo se perceber que apesar de correr todo o trajeto não consegui exatamente aquilo que almejava, pense bem. O que você conseguiu?  Eu, a exemplo de caso,  consegui acordar cedo (me planejo há dias), fiz uma bela caminhada, coloquei minha blusa xadrez preferida, vi meu conhecido querido, vou pegar meus livros pessoalmente e ainda tenho essa linda lição. Então,  pense sempre se o caminho não te deu tantas outras coisas que você não tinha planejado e a força de vontade que você tirou sei lá de onde para chegar até aqui. Se ainda não é o melhor que pode ser, tudo bem, tenho boas novas. Você é capaz de muito, se acreditar em si mesmo. Mas carregue consigo três coisas: vislumbre a paisagem, tem muita informação contida ali; continue andando, existem coisas que só você pode fazer por você e terceira, seja grato

Eu estou indo super feliz pra casa. Peguei meus livros. Incrivelmente lindos e vão arrasar nos próximos dias. E apesar de acordar de mau humor, estou insuportavelmente leve. 


L.

Ocupa-te consigo mesma

terça-feira, 10 de outubro de 2017 Nenhum comentário


Quero escrever pra você 
E com essas palavras dizer que,


Não te ocupes com os outros. Não estraga a tua música favorita. Não te perde em sentimentos do teu imaginário. Não te deita triste por quem dorme tranquilo. Não facilita a entrada,  deixa merecer. Não te tornes fria com o futuro devido aos teus fracassos. Ora, não foi assim que você se tornou forte? 
Não foi assim que você se construiu? 

Usa a tua dor para crescimento e se com ela tu não podes nada fazer, então se desfaz dela. 
Não te serve. Não te cabe. Só te ocupa.  

Não te ocupa dos outros, se preocupa contigo menina. Te levanta, te ama mais. Foda-se as metades, a gente não é incompleto. 

¿Qué quieres?


Senão alguém que agrega valor, que adiciona açúcar no chá, que abre a janela pro sol entrar.

Dispensa que monta e remonta você. Veja bem se te dói, se assim for deixa latejar, rasgar. Mas saí de casa de batom e saia rodada e não se deixa perder por outros. 

Te encontra por si mesma. Viaja com teus livros. 
Te ocupa contigo e com toda essa loucura que passa aí dentro, enquanto por fora, você serena, conduz essa dança. 



L

Pretty hurts - Beyoncé

sexta-feira, 8 de setembro de 2017 Nenhum comentário

O que você vê quando olha no espelho?  Você gosta? 


Pode parecer um desabafo e até mesmo uma questão adolescente, mas é uma questão legítima e cruel. Uma questão minha e provavelmente, sua.
A princípio, esclarecimentos: O que é o padrão? 
Padrão, coloquialmente falando é um modelo a ser seguido, exemplo a ser copiado, regras a serem executadas. Aí está a distopia, o desserviço empregado nessa "normalização", porque somos ditadoramente obrigadas a apresentarmos características que caibam nessa forma.
E simultaneamente anuladas. 
Somos zoados pelas nossas singularidades desde a premissa da vida, somos rotulados e taxados por não atendermos aos fenótipos que caracterizam a beleza. O que é muito bizarro, porque não somos produtos da mesma produção genética, contudo, somos prisioneiras do mesmo comércio. 
Quando eu determino e estabeleço sobre todas as pessoas normas de como devem se portar, ser etc e babaquice,  eu estou exaltando uns e tornando a vida de outros uma luta desenfreada para o atendimento de coisas estupidamente absurdas. 
Você pode pensar que somos diferentes e não estamos andando no mesmo ritmo passo a passo com os mesmos cortes de cabelo, num estilo Black Mirror assustadoramente uniformizados. Mas abra seus olhos por um momento e me diz quantas coisas você reproduz por causa do seu gênero e porque te ensinaram que meninos são assim? Ou porque isso é coisa de mulher? Ou porque desde a infância cabelos lisos era tudo que as meninas mais queriam? Afinal, cachos e crespo desde que bem definidos e sem friz, por favor. Gorda, mas não mostre seu corpo ok? Tente não ser bolachuda demais, dentuça demais, esbugalhada demais, alta demais, baixa demais, narigudo. Ah esse a gente dá um jeito e, claro os seios. Redondos e com mamilos discretos e rosados. 
Já percebeu a quantidade de pessoas que estão insatisfeitas consigo mesma? Já se deu conta da quantidade de gente que só fala em fazer dietas ou que não vai sair porque o jeans está marcando? Se privando porque precisa ser 5 kg a menos, não por saúde, que balela,  mas porque aí assim eu serei bonita. Já percebeu a necessidade de receber aprovação? 
Estamos doentes. 

Estamos vivendo diariamente um suicídio por partes de cada particularidade nossa. Estamos recortando o nosso corpo pra ter certeza que vamos caber na próxima estação, quando na verdade só precisamos deixar o sol entrar. Estamos abrindo mão da nossa individualidade por causa das tendências. E mal nos damos conta que tentar acompanhar a moda é patético,  já que a mesma não serve as pessoas, mas a um comércio muito restritivo.
Então seguir modelos não é assim tão efetivo. Isso vai te estrangular aos poucos, sufocar tanto, ao ponto de você nunca mais conseguir respirar sozinho. Vai sempre precisar de muletas para estar "bem", já que não sabe bem quem você é. 
O que eu quero com isso? 
Eu quero ter esse amor próprio e desconstruído todos os dias. Eu quero olhar no espelho e saber que eu estou atendendo a mim mesma, que não estou me picotando pra caber numa limitada cagada de regra, que eu não sou a reprodução de uma sociedade doentia e despersonificada mas a única versão existente de mim: eu. E eu só acredito que seja possível pessoas se abrirem pra si mesmas e pra segurança das suas singularidades quando ficar bem visível a falta de coerência dos padrões.
Para isso eu preciso caminhar de dentro pra fora. 
Não vou dando passos largos,  porque o caminho aqui de dentro é longo. Só espero que quando encontrar vocês aí fora estejam também concluindo a jornada de vocês. 


Por favor se amem, começando por quebrar com todas as regras que te aprisiona do seu verdadeiro encontro pessoal! 




L.
 
Desenvolvido por Michelly Melo.